Se prepare que é grande, mas é verdadeiro
Demorei para fazer este relato, ou melhor dar o meu
testemunho do poder de Deus na minha vida.
Quando perdi minha Catherine fiquei revoltada e não tenho
vergonha de dizer isso não, porque se até Jesus se sentiu abandonado, porque eu
não me sentiria, mas logo Deus colocou a mão e me mostrou que eu precisava
fazer mais, ter fé de menos, e confiar.
Foi o que fiz, e logo um anjo chamado Soubhi Kahhale
apareceu na minha vida, e encheu meu mundo de esperanças, e me disse que seria
possível sim tomando todos os cuidados...
Pois bem, eu tomava uma injeção na barriga por dia, fiquei
com marcas roxas várias vezes na barriga, via as pessoas me olhando com aquela
cara de pena, muitas pessoas orando para que tudo desse certo.
Enfim ao chegar na 30ª semana ouvi do meu médico que chegar
ali tinha sido uma grande vitória, quando completei 32 semanas a ficha já tinha
caído eu não tinha o barrigão que eu sonhei, meu bebê não tinha o tamanho que
deveria, e após um ultrassom de rotina meu mundo caiu, eu teria que ser
internada às pressas, meu bebê precisava ser monitorado, liguei para o meu
médico que me falou que já estava reservando uma vaga na UTI pra mim, liguei
pro Ronny, e um filme passou em nossas cabeças, a mesma história estava se
repetindo, com a Catherine foi a mesma coisa. Bateu um medo enorme...
Cheguei no hospital, fiz alguns exames, fui encaminhada para
a observação e logo depois para a internação, ouvi da medica que meu filho
nasceria até o final da semana. Fui para o quarto, e os dois dias se
transformaram em 10, no nono dia ouvi da minha médica, que meu bebê estava
trolando a gente e que eu precisava ser paciente, porque do jeito que estávamos
indo eu iria ficar mais duas semanas tranquilas... Eu estava mesmo tranquila, a
comida era horrível, sem sal, mas meu marido já estava “internado” comigo, o
Ronny ficou de vez lá, minha mãe ia todos os dias, ai ela pegava a roupa dele
trazia para lavar e depois trazia a limpa.
No dia seguinte, veio a bomba... a Dra. Giuliana Petti,
entrou no quarto, sentou na cama comigo e me falou que a equipe médica tinha
visto meus exames e acharam melhor fazer logo o parto, não tinham porque ficar
esperando, arriscando, o Nickolas tinha 600g era um bebê que eles chamavam de
viável, tinha grandes chances, o parto seria no outro dia às 11hs, pois naquele
mesmo dia ela não conseguiria fazer o parto... o Ronny não estava lá, fiquei muito
preocupada, mas ela me disse que eu seria monitorada a noite toda, e que se
houvesse mais alguma alteração os plantonistas estavam preparados para agir.
Entreguei nas mãos de Deus, em nenhum momento nessa gravidez
eu tive dúvidas que daria certo.
Às 23hs vieram fazer o primeiro cardiotoco de monitoramento,
durante o exame houve uma queda nos batimentos, acabou o exame, e 10 minutos
depois aparece um médico na porta me falando para me arrumar que eu desceria
para fazer meu parto... na hora gelei, perguntei se não era possível esperar
até o outro dia, pois a minha médica tinha dito que dava pra esperar e ouvi do
médico que não havia motivos para arriscar, e que aquela era a hora... abracei
meu marido, e logo veio a enfermeira trazer a roupa cirúrgica... descemos, o
Ronny foi para um lado e eu para outro... não via a hora de reencontra-lo
Entrei na sala, a médica me falou que já havia conversado
com a minha médica que disse que assim que terminasse tudo era para avisá-la...
começaram o procedimento, e tudo o que eu mais queria era ver meu marido, meu
amor, meu apoio, ele entrou e sentou ao meu lado, havia muita preocupação e
muita fé, eu rezava para que meu bebê chorasse, na sala o clima era de tensão
até que a médica disse: -Vai nascer... e
eu ouvi um chorinho lindo, manhoso, e só pude agradecer a Deus me mostraram meu
pequeno de longe, chamaram o Ronny para acompanhar os primeiros cuidados,
depois ele voltou já limpinho, me mostraram de longe novamente e levaram meu
bebê...
É eu não pude ficar com ele, não tive foto do parto, pois a
tensão foi tão grande que ninguém disse que poderia tirar fotos, o Ronny
esperou eles deixarem, e eles nem se tocaram que havia um pai querendo
registrar aquele momento... prometeram que eu iria para o quarto depois de uma
hora, fui pra sala de recuperação e o Ronny voltou para o quarto...
Meu Nickolas nasceu 2hs do dia 12/06/2015 pesando 1690kg com
42cm.
Eu só fui para o quarto quase 6hs, sei lá porque, tinha que
ficar deitada, o Ronny tirou umas fotos e filmou o nosso pequeno na UTI pra eu
vê-lo, foi então que publiquei na internet que eu tinha ganhado o melhor
presente de dia dos namorados, um presente que todo ano irá ser comemorado,
muitos não sabiam da gravidez, se assustaram, mas ele estava ali...
Tentei levantar por volta de 10hs queria muito conhece-lo,
toca-lo, sentir seu cheiro, pegá-lo... mas quando levantei, passei muito mal,
quase desmaiei, então não deixaram eu ir... me fizeram deitar novamente, após o
almoço, nova tentativa de banho, passei mal novamente, mas não falei, abri a
janela, pedi para o Ronny aumentar o ar, tomei um banho, sentei na cadeira de
rodas e lá fui eu conhecer o meu príncipe.
Entrei na UTI, fui bem recebida e levada para conhecer
aquele meu grande guerreiro, não eu não pude pegá-lo, só deixaram eu abrir
aquela portinha da incubadora e tocá-lo, e ao tocá-lo, ele segurou o meu dedo,
aquilo foi como se ele me dissesse: -Calma mamãe, chegamos até aqui, agora
vamos vencer.
Meu bebê era tão pequeno, e ao mesmo tempo tão forte, Meu
Nickolas, meu guerreiro, meu tudo.
Foram 29 dias de agonia, de ansiedade, levantando cedo,
deitando tarde, saia de casa as 5hs chegava as 0, não tive resguardo, me
alimentei em restaurante, por muitos dias pegava meu filho apenas uma vez ao
dia, depois de quase 20 dias ele foi para o peito e para a mamadeira e eu então
podia pegá-lo a cada 3hs, e assim foi...
Chegava na UTI querendo saber como tinha passado a noite e
qual peso ele estava, essa era a pior parte, houveram perdas, ganhos, e dias
que não mudava nada... quando estava com 1900kg, veio o baque... ele iria
operar de hérnia inguinal, a cirurgia era tranquila, mas no dia em que ele foi
operar, eu estava ali naquele hospital sozinha, sem o Ronny, e chorei, rezei,
chorei, as outras mães vinham me acalmar, mas a tranquilidade só voltou quando
ele voltou e logo pude pegá-lo e dar mamadeira novamente.
Dia 9/6 veio a minha felicidade, a médica me falou pra
trazer as roupinhas dele, pois no dia seguinte ele estaria de alta... dia 10
cheguei toda radiante, querendo saber quando eu ia leva-lo, e como era feriado
o médico que o acompanhou havia emendado os dias, e estava uma plantonista que
me disse que devido a alteração do leite, ele precisaria ficar mais dias na
UTI, sendo monitorado, ele estava há dois dias com o leite novo, sem ter
reação, mas ela não deixou ele sair, aquele foi um dia horrível para mim,
chorei tanto, tudo o que mais queria era levar meu bebê pra casa. E agora sem
previsão, a alta poderia ser no dia seguinte, no outro, ou até mesmo no
outro... A tarde veio outra médica, e ela me disse que meu bebê estava ótimo, e
que entendia que a médica tinha preferido deixa-lo mais um dia, mas para eu não
ficar triste que estava tudo bem... “como não ficar triste, se tudo o que eu
mais queria era ter meu bebê em meus braços o tempo que eu quisesse, queria
colocá-lo em seu berço, conhecer o seu choro, os seus costumes?”
No dia seguinte, o Ronny foi preparado para questionar
porque estavam com medo de não dar alta pra ele, entrou e eu fiquei na salinha
das mães, logo depois aparece o Ronny com os olhos vermelhos, fazendo sinal de
ir embora, cheguei perto e falei: “-Você já vai?” e ele “-Não, a gente vai
embora, ele tá de alta” nos abraçamos e choramos, fui correndo vê-lo, havia
ainda um empecilho, o sistema havia caído, e a alta não estava pronta, a medica
garantiu que daria, mas não sabia quando, entrei na UTI, me pediram para pegar
as coisas dele, fomos até o carro, peguei sua bolsa, não acreditava que aquele
momento tinha chegado. Chegamos o Ronny entrou, ai a médica já falou que tinha
conseguido imprimir, nem consegui levar as coisinhas dele, já parei para
assinar aquelas folhas, entrei com a roupinha dele, as enfermeiras o arrumaram,
veio o bercinho, e logo estava eu saindo com o meu Nickolas, meu milagre, o
Ronny já estava nos esperando no carro, colocamos nosso filho no bebê conforto,
e trouxemos para casa...
É eu não tive o parto que sonhei;
Não foi com a médica que planejei;
Não tive o parto transmitido pela internet, como sonhei;
Não tive foto do parto;
Não peguei meu filho no seu primeiro dia de vida;
Não o amamentei durante 20 dias;
Vi meu filho sendo alimentado por sonda;
Não pude pegá-lo sempre que me desse vontade;
Conheci outras mães que estavam na mesma situação que eu,
algumas em situações piores, vi crianças tendo alta e algumas infelizmente
perdendo a vida, vi pais desesperados, e outros realizados com pequenas
vitórias;
Ao todo passei 39 dias morando no hospital;
Fiquei pirada com o ganho de peso, aquilo era muito
importante já que graças a Deus meu pequeno só precisava disso;
Fiquei viciada nos monitores, nos barulhos, nos apitos dos
aparelhos, e senti falta deles nos primeiros dias em casa;
Senti a maior felicidade ao poder sair daquela maternidade
com meu bebê no colo;
Muitas mães não sentem tanta felicidade ao colocar o filho
dentro do carro, como nós mães de UTI sentimos, o que é um momento normal para
quem tem um filho, para uma mãe de UTI o momento de colocar o bebê dentro do
carro e ir para casa é mágico, é o começo de tudo
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