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sábado, 21 de setembro de 2019

Meu testemunho

Mexendo nas minhas coisas, achei este relato do meu parto que é um testemunho de Deus na minha vida.

Se prepare que é grande, mas é verdadeiro


Demorei para fazer este relato, ou melhor dar o meu testemunho do poder de Deus na minha vida.
Quando perdi minha Catherine fiquei revoltada e não tenho vergonha de dizer isso não, porque se até Jesus se sentiu abandonado, porque eu não me sentiria, mas logo Deus colocou a mão e me mostrou que eu precisava fazer mais, ter fé de menos, e confiar.
Foi o que fiz, e logo um anjo chamado Soubhi Kahhale apareceu na minha vida, e encheu meu mundo de esperanças, e me disse que seria possível sim tomando todos os cuidados...
Pois bem, eu tomava uma injeção na barriga por dia, fiquei com marcas roxas várias vezes na barriga, via as pessoas me olhando com aquela cara de pena, muitas pessoas orando para que tudo desse certo.
Enfim ao chegar na 30ª semana ouvi do meu médico que chegar ali tinha sido uma grande vitória, quando completei 32 semanas a ficha já tinha caído eu não tinha o barrigão que eu sonhei, meu bebê não tinha o tamanho que deveria, e após um ultrassom de rotina meu mundo caiu, eu teria que ser internada às pressas, meu bebê precisava ser monitorado, liguei para o meu médico que me falou que já estava reservando uma vaga na UTI pra mim, liguei pro Ronny, e um filme passou em nossas cabeças, a mesma história estava se repetindo, com a Catherine foi a mesma coisa. Bateu um medo enorme...
Cheguei no hospital, fiz alguns exames, fui encaminhada para a observação e logo depois para a internação, ouvi da medica que meu filho nasceria até o final da semana. Fui para o quarto, e os dois dias se transformaram em 10, no nono dia ouvi da minha médica, que meu bebê estava trolando a gente e que eu precisava ser paciente, porque do jeito que estávamos indo eu iria ficar mais duas semanas tranquilas... Eu estava mesmo tranquila, a comida era horrível, sem sal, mas meu marido já estava “internado” comigo, o Ronny ficou de vez lá, minha mãe ia todos os dias, ai ela pegava a roupa dele trazia para lavar e depois trazia a limpa.
No dia seguinte, veio a bomba... a Dra. Giuliana Petti, entrou no quarto, sentou na cama comigo e me falou que a equipe médica tinha visto meus exames e acharam melhor fazer logo o parto, não tinham porque ficar esperando, arriscando, o Nickolas tinha 600g era um bebê que eles chamavam de viável, tinha grandes chances, o parto seria no outro dia às 11hs, pois naquele mesmo dia ela não conseguiria fazer o parto... o Ronny não estava lá, fiquei muito preocupada, mas ela me disse que eu seria monitorada a noite toda, e que se houvesse mais alguma alteração os plantonistas estavam preparados para agir.
Entreguei nas mãos de Deus, em nenhum momento nessa gravidez eu tive dúvidas que daria certo.
Às 23hs vieram fazer o primeiro cardiotoco de monitoramento, durante o exame houve uma queda nos batimentos, acabou o exame, e 10 minutos depois aparece um médico na porta me falando para me arrumar que eu desceria para fazer meu parto... na hora gelei, perguntei se não era possível esperar até o outro dia, pois a minha médica tinha dito que dava pra esperar e ouvi do médico que não havia motivos para arriscar, e que aquela era a hora... abracei meu marido, e logo veio a enfermeira trazer a roupa cirúrgica... descemos, o Ronny foi para um lado e eu para outro... não via a hora de reencontra-lo
Entrei na sala, a médica me falou que já havia conversado com a minha médica que disse que assim que terminasse tudo era para avisá-la... começaram o procedimento, e tudo o que eu mais queria era ver meu marido, meu amor, meu apoio, ele entrou e sentou ao meu lado, havia muita preocupação e muita fé, eu rezava para que meu bebê chorasse, na sala o clima era de tensão até que a médica disse: -Vai nascer...  e eu ouvi um chorinho lindo, manhoso, e só pude agradecer a Deus me mostraram meu pequeno de longe, chamaram o Ronny para acompanhar os primeiros cuidados, depois ele voltou já limpinho, me mostraram de longe novamente e levaram meu bebê...
É eu não pude ficar com ele, não tive foto do parto, pois a tensão foi tão grande que ninguém disse que poderia tirar fotos, o Ronny esperou eles deixarem, e eles nem se tocaram que havia um pai querendo registrar aquele momento... prometeram que eu iria para o quarto depois de uma hora, fui pra sala de recuperação e o Ronny voltou para o quarto...
Meu Nickolas nasceu 2hs do dia 12/06/2015 pesando 1690kg com 42cm.
Eu só fui para o quarto quase 6hs, sei lá porque, tinha que ficar deitada, o Ronny tirou umas fotos e filmou o nosso pequeno na UTI pra eu vê-lo, foi então que publiquei na internet que eu tinha ganhado o melhor presente de dia dos namorados, um presente que todo ano irá ser comemorado, muitos não sabiam da gravidez, se assustaram, mas ele estava ali...
Tentei levantar por volta de 10hs queria muito conhece-lo, toca-lo, sentir seu cheiro, pegá-lo... mas quando levantei, passei muito mal, quase desmaiei, então não deixaram eu ir... me fizeram deitar novamente, após o almoço, nova tentativa de banho, passei mal novamente, mas não falei, abri a janela, pedi para o Ronny aumentar o ar, tomei um banho, sentei na cadeira de rodas e lá fui eu conhecer o meu príncipe.
Entrei na UTI, fui bem recebida e levada para conhecer aquele meu grande guerreiro, não eu não pude pegá-lo, só deixaram eu abrir aquela portinha da incubadora e tocá-lo, e ao tocá-lo, ele segurou o meu dedo, aquilo foi como se ele me dissesse: -Calma mamãe, chegamos até aqui, agora vamos vencer.
Meu bebê era tão pequeno, e ao mesmo tempo tão forte, Meu Nickolas,  meu guerreiro, meu tudo.
Foram 29 dias de agonia, de ansiedade, levantando cedo, deitando tarde, saia de casa as 5hs chegava as 0, não tive resguardo, me alimentei em restaurante, por muitos dias pegava meu filho apenas uma vez ao dia, depois de quase 20 dias ele foi para o peito e para a mamadeira e eu então podia pegá-lo a cada 3hs, e assim foi...
Chegava na UTI querendo saber como tinha passado a noite e qual peso ele estava, essa era a pior parte, houveram perdas, ganhos, e dias que não mudava nada... quando estava com 1900kg, veio o baque... ele iria operar de hérnia inguinal, a cirurgia era tranquila, mas no dia em que ele foi operar, eu estava ali naquele hospital sozinha, sem o Ronny, e chorei, rezei, chorei, as outras mães vinham me acalmar, mas a tranquilidade só voltou quando ele voltou e logo pude pegá-lo e dar mamadeira novamente.
Dia 9/6 veio a minha felicidade, a médica me falou pra trazer as roupinhas dele, pois no dia seguinte ele estaria de alta... dia 10 cheguei toda radiante, querendo saber quando eu ia leva-lo, e como era feriado o médico que o acompanhou havia emendado os dias, e estava uma plantonista que me disse que devido a alteração do leite, ele precisaria ficar mais dias na UTI, sendo monitorado, ele estava há dois dias com o leite novo, sem ter reação, mas ela não deixou ele sair, aquele foi um dia horrível para mim, chorei tanto, tudo o que mais queria era levar meu bebê pra casa. E agora sem previsão, a alta poderia ser no dia seguinte, no outro, ou até mesmo no outro... A tarde veio outra médica, e ela me disse que meu bebê estava ótimo, e que entendia que a médica tinha preferido deixa-lo mais um dia, mas para eu não ficar triste que estava tudo bem... “como não ficar triste, se tudo o que eu mais queria era ter meu bebê em meus braços o tempo que eu quisesse, queria colocá-lo em seu berço, conhecer o seu choro, os seus costumes?”
No dia seguinte, o Ronny foi preparado para questionar porque estavam com medo de não dar alta pra ele, entrou e eu fiquei na salinha das mães, logo depois aparece o Ronny com os olhos vermelhos, fazendo sinal de ir embora, cheguei perto e falei: “-Você já vai?” e ele “-Não, a gente vai embora, ele tá de alta” nos abraçamos e choramos, fui correndo vê-lo, havia ainda um empecilho, o sistema havia caído, e a alta não estava pronta, a medica garantiu que daria, mas não sabia quando, entrei na UTI, me pediram para pegar as coisas dele, fomos até o carro, peguei sua bolsa, não acreditava que aquele momento tinha chegado. Chegamos o Ronny entrou, ai a médica já falou que tinha conseguido imprimir, nem consegui levar as coisinhas dele, já parei para assinar aquelas folhas, entrei com a roupinha dele, as enfermeiras o arrumaram, veio o bercinho, e logo estava eu saindo com o meu Nickolas, meu milagre, o Ronny já estava nos esperando no carro, colocamos nosso filho no bebê conforto, e trouxemos para casa...
É eu não tive o parto que sonhei;
Não foi com a médica que planejei;
Não tive o parto transmitido pela internet, como sonhei;
Não tive foto do parto;
Não peguei meu filho no seu primeiro dia de vida;
Não o amamentei durante 20 dias;
Vi meu filho sendo alimentado por sonda;
Não pude pegá-lo sempre que me desse vontade;
Conheci outras mães que estavam na mesma situação que eu, algumas em situações piores, vi crianças tendo alta e algumas infelizmente perdendo a vida, vi pais desesperados, e outros realizados com pequenas vitórias;
Ao todo passei 39 dias morando no hospital;
Fiquei pirada com o ganho de peso, aquilo era muito importante já que graças a Deus meu pequeno só precisava disso;
Fiquei viciada nos monitores, nos barulhos, nos apitos dos aparelhos, e senti falta deles nos primeiros dias em casa;
Senti a maior felicidade ao poder sair daquela maternidade com meu bebê no colo;
Muitas mães não sentem tanta felicidade ao colocar o filho dentro do carro, como nós mães de UTI sentimos, o que é um momento normal para quem tem um filho, para uma mãe de UTI o momento de colocar o bebê dentro do carro e ir para casa é mágico, é o começo de tudo